Bens de fiscal da Máfia do ISS vão a leilão

Bruno Ribeiro
Quase dois anos após a descoberta da Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS), os primeiros bens adquiridos por integrantes da quadrilha deverão ser postos a leilão para recuperar parte do dinheiro desviado pelo grupo à Prefeitura. A Justiça decidiu na segunda-feira, 3, leiloar um barco avaliado em R$ 1 milhão e colocar cinco salas comerciais para locação.
Os bens pertenciam ao auditor-fiscal Eduardo Horle Barcellos, que foi o segundo homem do setor de Arrecadação da gestão Gilberto Kassab (PSD). Ao colaborar com o Ministério Público Estadual (MPE) nas investigações do caso, Barcellos concordou, em abril do ano passado, em conceder a tutela antecipada dos bens à Justiça, com consentimento dos promotores do caso. A expectativa era de que os objetos fossem leiloados ainda naquele ano, mas o pedido ficou parado em meio ao grande volume de despachos do caso.
A relação cedida por Barcellos tinha o barco, as cinco salas - todas na laje de um edifício de alto padrão no Gonzaga, em Santos, adquiridas em parceria com o suposto líder do esquema, Ronilson Bezerra Rodrigues - e um jet ski. Cada uma das salas tem cerca de 55 m² e foi adquirida por cerca de R$ 350 mil, em valores de 2011. Os imóveis nunca chegaram a ser ocupados.
Em despacho divulgado na segunda-feira pelo SPTV, da TV Globo, no entanto, a Justiça concordou apenas com o leilão do barco. No caso das salas comerciais, em vez da venda, a Justiça decidiu alugar os espaços, "considerando o péssimo momento da economia nacional, com baixa generalizada de preços no mercado imobiliário".
Por determinação do prefeito Fernando Haddad (PT), os valores obtidos pela administração municipal fruto da venda de bens dos integrantes da quadrilha serão destinados à área da Educação, especificamente à construção de creches
A Tarde
Colaboração: Eunice Costa
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