sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MOMENTO DA POESIA

Na Hora da Morte

Na hora da morte a alma silencia.
Apenas ouve os sons da vida
nos ventos e nas águas,
no fogo que estala,
na madeira exalando cheiros,
no bater de asas,
nos passos dos homens na calçada
 
A alma apenas ouve, imóvel,
os gritos dos bichos dentro de si
que rosnam, urram, uivam
na ânsia de liberdade.
E aos poucos se transformam
em zumbidos, trinados e gorjeios 
até o voo final.
 
Na hora da morte a alma se reconhece,
despede os bichos criados 
que transformados se vão, alguns;
alguns permanecem apaziguados
 
Na hora da morte a alma se refaz 
meio velho... meio criança.
Ouvindo uma canção de ninar,
querendo colo, aponta para o céu.

Luiza Drubi
Educadora e Poetisa

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas