sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MOMENTO DA POESIA

No seu coração
 
Olho, da janela do meu quarto,
a chuva caindo lenta no jardim .
Vejo as gotas pequeninas acariciando as folhas
e as pétalas das flores estremecendo.

Faz frio lá fora. O vento ausentou-se.
Sua ausência, acredito, faz o ar gelar.
Meu corpo estremece nesta sensação de ausência.

Desejo então seus braços aconchegando,
sua respiração suave e morna aquecendo-me.
Desejo ir me enroscando e encolhendo
até caber em seu coração.
 
Despertar como criança, correndo e brincando entre ventrículos e aurículos;
deslizar pelas artérias como se fossem corrimões de escadas vibrantes;
fazer roda de mãos dadas com todas as alegrias;
descobrir seus desejos mais secretos;
espalhar as recordações, rasgando as amareladas pelo tempo. 
Como uma bruxinha travessa
libertar os sonhos  para que voem como pássaros 
 
Por fim, entre as teias de minúsculos vasos,
desnudar-me lentamente ao som das batidas de sua emoção
e adormecer num coração apaziguado.

Luiza Drubi
Educadora e Poetisa

2 comentários:

  1. Não moro em Juazeiro mas leio sempre este blog
    Não sei se vc é nova ou idosa, casada ou solteira,
    branca ou negra, bonita ou feia, sei que vc é uma
    grande poeta e curte uma grande paixão-- não é verdade?

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  2. Olá amigo anônimo!
    Dizia nosso grande "poetinha" que "o poeta só é grande se sofrer". O que mais faz o homem sofrer que uma grande paixão, não é verdade?
    Mas, não sou poeta amigo. Apenas uma mulher sensível que desabafa colocando os sentimentos numa folha de papel.
    Obrigada pelo elogio e seus comentários.

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas