Os jovens sem oportunidades de trabalho e estudo que serão desafio para próximo presidente

Paulo Edson Teixeira tem uma ideia fixa. Participa de três grupos de WhatsApp, segue diversos perfis nas redes sociais, troca mensagens diárias com amigos, tudo com variações sobre o mesmo tema: conseguir o primeiro emprego.Banco Mundial identificou combinação de barreiras enfrentadas por jovens: de pobreza, educação deficiente à falta de estrutura familiar
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As barreiras enfrentadas pelos jovens ‘nem-nem’
A falta de oportunidades de emprego é um dos grandes obstáculos enfrentados pelos jovens “nem-nem”, mas está longe de ser o único.
Em 2016, o Banco Mundial entrevistou 77 jovens de 18 a 25 anos de áreas urbanas e rurais de Pernambuco para entender o que está por trás do fenômeno.
O resultado é o estudo “Se já é difícil, imagina para mim”, lançado em março deste ano pelas pesquisadoras Miriam Müller e Ana Luiza Machado, e que elenca uma série de barreiras estruturais enfrentadas por esses jovens.
São obstáculos relacionados a pobreza, educação deficiente, falta de estrutura familiar, de redes de apoio e de exemplos positivos e desigualdade de gênero. Ou todos eles juntos.
Müller afirma que a expressão “nem-nem” é “infeliz”, porque gera um estigma de que jovens estariam nessa situação porque querem ou porque não correm atrás.
“O termo põe a culpa no jovem, que não está nesta situação porque deseja”, ressalta Müller.
“Mesmo que aparentem não estudar nem trabalhar, são jovens que na grande maioria das vezes estão fazendo alguma coisa, buscando trabalhos ou bicos ou fazendo tarefas domésticas, ou fazendo um trabalho informal ou não remunerado. Essa definição estigmatiza um grupo que não merece isso, que é ativo e busca oportunidades.”
Sem qualificação, sem emprego
Com um grupo de mais alguns amigos, Mateus e Paulo fazem rondas diárias por sites de emprego, se avisam quando abrem inscrições para vagas de trabalho, enfrentam filas em feiras de emprego e saem juntos para deixar seus currículos em empresas como grandes redes de varejo, lojas de rua, multinacionais.
“Espero que a pessoa que assuma a Presidência venha com propostas voltadas ao emprego, porque está difícil”, diz Mateus.
Filho de mãe costureira e pai auxiliar de limpeza, ele torce para que o próximo governo seja mais focado em educação, que “é o princípio de tudo.”
Ele se formou em uma escola da rede estadual na Vila Kennedy. “Até que não foi ruim”, avalia. “Mas, no círculo de amigos que se formou comigo, todos estão na mesma condição que eu.”
FONTE: http://acaopopular.net/jornal/os-jovens-sem-oportunidades-de-trabalho-e-estudo-que-serao-desafio-para-proximo-presidente/
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