Qualidade de vida na terceira idade: a influência da participação em grupos
Em um país onde a expectativa de vida encontra-se em crescimento, é importante pesquisar acerca dos fatores que contribuem para uma melhor qualidade de vida da população idosa. Neste contexto, a atividade e a autonomia ocupam um lugar de destaque. O presente trabalho pretendeu investigar os possíveis efeitos da participação de idosos em grupos de convivência na sua qualidade de vida. O trabalho consistiu de um levantamento bibliográfico e pesquisa de campo. Foi utilizado o instrumento de avaliação da Qualidade de Vida da OMS – WHOQOL-OLD em idosos integrantes de diversos grupos, bem como em indivíduos que não participam ativamente de nenhuma atividade em grupo. Os resultados demonstraram que aqueles que participam ativamente percebem possuir melhor qualidade de vida se comparados com aqueles também ativos, porém que não participam de nenhum grupo regularmente.
O aumento da expectativa de vida e do contingente de idosos é um fenômeno mundial. Os avanços médicos e tecnológicos vêm propiciando o aumento considerável tanto na expectativa de vida da população, quanto na queda da taxa de natalidade (Freitas, 2004).
No Brasil, o Censo Demográfico de 2000 trouxe dados importantes para conhecer melhor a realidade das pessoas idosas. Resultados desse censo demonstraram um percentual de 8,6% (14.536.029) de brasileiros com idade igual ou maior que 60 anos.
De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo de 2000 foi verificado um maior contingente de mulheres idosas, se comparadas com homens de mesma faixa etária. Havia nesse levantamento um universo de 8.002.245 mulheres para 6 533 784 homens. A relação entre gênero e envelhecimento baseia-se nas mudanças sociais ocorridas ao longo do tempo e nos acontecimentos ligados ao ciclo de vida. Dessa forma, a maior longevidade feminina implicaria transformações nas várias esferas da vida social, uma vez que o significado social da idade está profundamente vinculado ao gênero.
A partir da transição demográfica descrita acima, verifica-se a importância de se promover um envelhecimento marcado pelo equilíbrio entre as limitações e potencialidades do indivíduo. Nessa perspectiva, Rowe e Khan (1998) propõem três possibilidades para o envelhecimento: normal, patológico e saudável (ou bem-sucedido).
O envelhecimento normal seria marcado pelos eventos físicos, cognitivos e socais normativos para essa fase da vida. Assim, alterações como pressão arterial elevada, déficits visuais e auditivos, mudanças de papéis sociais, diminuição da velocidade das tarefas seriam eventos esperados. O envelhecimento patológico seria resultante de alterações globais com presença de síndromes e doenças crônicas (Rowe & Khan, 1998). O envelhecimento saudável seria aquele acima das expectativas do envelhecimento normal, ou seja, as alterações decorrentes do envelhecimento ocorrem lentamente, de tal forma que o funcionamento físico, social e cognitivo nesses idosos são melhores que o da maioria das pessoas de mesma faixa etária (Rowe & Khan, 1998). Dessa forma, faz-se necessária a adoção de políticas específicas que visem propiciar um envelhecimento ativo, no qual a autonomia e, sobretudo, a dignidade do idoso devam ser sempre respeitadas (Freitas, 2004).
Colaboração:Carmen Costa
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