Crise econômica dificulta saída dos jovens da casa dos pais
Por Felipe Castro
O desejo de sair da casa dos pais é uma realidade que um dia se torna uma necessidade na vida. O motivo pode ser por querer ter sua própria liberdade ou por até mesmo não aguentar a convivência dentro de casa. Porém, a crise econômica, em 2016, adiou esse sonho. Atualmente, o país apresenta 25,7% dos jovens desocupados, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um outro motivo é a inflação, que em 2015 atingiu a marca de 10%, ainda longe da meta esperada pelo governo, de 4,5%. Hoje é de 6,29%.
Em números, o Brasil, nos últimos 10 anos, teve uma queda na porcentagem de jovens que moram sozinhos. Dados divulgados pelo IBGE, em 2014, indicam que 9,6% das pessoas entre 20 e 29 anos se enquadram nessa situação. O país já teve 11,4%, em 2004. É a situação vivida pela estudante de Gestão Ambiental, Willyanne Rocha, 21 anos, que mora com os pais. “Tudo na vida é difícil, a questão é saber lidar com as dificuldades. Não tem como sair de casa para morar sozinha e não se deparar com uma situação difícil, principalmente quando se tem que conciliar os estudos com um trabalho”, analisa.
Estudante de Gestão Ambiental, Willyanne tem desejo de sair de casa e morar em uma república. Foto: arquivo pessoal
Já o sonho de Willyanne é realidade na vida de Makson Oliveira, 22 anos. Atualmente, ele faz um curso de vigilante e fala dos desafios que encontrou. “As dificuldades que eu tive para pôr em prática foi só a questão de pagar aluguel”. Makson decidiu sair de casa em busca de ter sua privacidade. “De início, eu já estava com a ideia de morar sozinho, pois devido eu ter dois irmãos, um deles tava ferindo minha intimidade, quebrando alguns pertences meus. O segundo é porque meus pais se mudaram da nossa primeira casa e a mesma ia ficar fechada, então decidi por o meu plano de morar sozinho em prática, uni o útil ao agradável”, revela.
Realidade em outros países
Se no Brasil, há menos de 10% dos jovens morando sozinhos, na Suécia o número se aproxima da metade da população na faixa etária. O país lidera nessa estatística com cerca de 40%. Em seguida vêm os Dinamarqueses, com 36%. EUA, um país onde é tradicional sair de casa quando entram na universidade, tem em média 26% nesse quadro. Para Makson Oliveira, que saiu de casa dos pais há mais de dois anos, ele acredita que esse quadro se deve a uma questão cultural. “No Brasil, se tem aquela cultura de acomodação, então os jovens têm medo de encarar essa responsabilidade”.
Gastos
O desejo de ter sua independência exige planejamento, pois é preciso lidar com gastos, que incluem os cuidados de uma casa. “Meu custo gira em torno de $700 reais por mês. Sempre ajudei meio que à força nas tarefas de casa [dos pais] e isso me ajudou a ter uma noção”, explica Makson, que faz o próprio almoço e resolve as coisas de casa no tempo livre.
Fortaleza, de acordo com o site Custo de Vida, um portal colaborativo que faz um levantamento popular sobre o preço de alguns itens básicos, é apontada como uma das dez capitais do Brasil com menor custo para viver. Outras capitais na listas são Maceió (AL), Macapá (AP), João Pessoa (PB), Aracaju (SE), Teresina (PI), Campo Grande (MS), Goiania (GO), Natal (RN) e Boa Vista (RR). Destaca-se ainda na lista, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília como as mais caras. Atualmente, segundo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica na capital cearense custa R$ 401,91. Para o mesmo departamento, o salário mínimo necessário de um brasileiro deveria ser de R$ 3.658,72. Atualmente, é de R$937,00.
Colaboração: Carmen Costa
Nenhum comentário:
Postar um comentário