- Rogerio Waldrigues Galindo
Pense numa sociedade tremendamente desigual. Uns poucos muito ricos e muita gente pobre, realmente pobre. Claro que isso é um problema. E existem dois jeitos de ver esse problema. Um deles é achar que a desigualdade em si não é o que tem que ser solucionado.
Por essa visão, o que precisa ser remediado é a miséria. Se todo mundo tiver o mínimo para viver com tranquilidade e algum conforto, não existe problema algum a ser resolvido. Se os outros têm mais, melhor para eles. Mesmo que seja muito mais. Mesmo que sejam multibilionários. Desde que o dinheiro tenha sido ganho honestamente, tudo certo.
Mas há quem pense que a desigualdade em si, se for muito grande, já é preocupante. Claro: não estamos falando de tentar deixar todo mundo na exata mesma situação, o que exige um grau enorme de opressão e já se provou que não funciona. Mas sim de ter uma sociedade em que o mais rico e o mais pobre não estejam tão distantes um do outro.
Professor de Harvard, Tim Scanlon fez uma lista de quatro argumentos para que uma sociedade democrática se oponha à desigualdade. Um deles é mais abstrato: o direito que todos os participantes de uma sociedade têm de desfrutar daquilo que se constrói coletivamente (ninguém teria como enriquecer sozinho, sem trabalhadores, consumidores etc.)
Mas os outros três são bem pé no chão e sentimos na pele o que ele quer dizer. Por exemplo: o fato de que filhos de famílias mais pobres, pela simples loteria da vida, têm uma chance muito menor de desenvolver seu potencial e chegar aonde mereceriam. É a falta de mobilidade social.
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Fonte:gazetadopovo.com.br
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