Dois terços dos casos de contrabando humano no Brasil são para exploração sexual
Nem todas as meninas podem ter a "sorte" da adolescente Camila*. Levada de casa em Tabatinga (AM) por uma amiga cinco anos mais velha para assistir a uma apresentação da banda Calypso, na noite de 16 de novembro de 2015, a adolescente de 12 anos conseguiu voltar para a família três semanas mais tarde. Antes, perambulou por cinco dias pelas ruas de Letícia, na fronteira da Colômbia com o Brasil, e acabou recolhida pelo Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar. Foi parar na lista de crianças disponíveis para adoção –medida comum no país vizinho, que não tolera a presença de menores abandonados nas ruas.
Às 9h53 do dia 7 de dezembro, depois de uma severa intervenção do Conselho Tutelar de Tabatinga, Camila foi devolvida aos pais e aos irmãos mais novos mediante uma série de compromissos assumidos junto à Justiça colombiana – entre eles o fortalecimento dos laços familiares e a manutenção de um ambiente doméstico de "compreensão, afeto e segurança". Assustada, a menina esboçou apenas alguns sorrisos constrangidos durante a audiência, de mais de 40 minutos.
Ainda assim, voltar para casa seria melhor que o possível destino reservado à adolescente, mesmo num suposto processo de adoção. Camila, na verdade, estava sendo vítima de traficantes de pessoas: depois de aliciada pela suposta amiga, provavelmente iria de forma clandestina para a República Dominicana ou para o Suriname e, dali, para a Europa –notadamente Suíça ou Portugal.
Fonte: bol.com.br
Colaboração: Eunice Costa
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