quinta-feira, 24 de julho de 2014

A GRANDE TRANSFORMAÇÃO



Um dos assuntos preferidos nos meus tempos de faculdade de Química era, sem dúvida, a Alquimia. Muito se escreveu e muito se tem escrito sobre essa célebre arte sagrada praticada na antiguidade, seja na Mesopotâmia, na China ou no Egito. Aliás, é acalentador o sonho da realização da grande obra alquímica, que é a produção da pedra filosofal ou pó de projeção — um catalisador fantástico capaz de entre outras coisas transmutar o chumbo em ouro. Um sonho tentador.
E a alquimia nos fornece muito mais ainda em termos de possibilidades perturbadoras, além da riqueza instantânea.
Temos outros dois sonhos há milênios: o célebre elixir da longa vida e a panaceia — ou cura para todas as doenças.
E é notório que suas aplicações na medicina e na bioquímica conseguiram quase que triplicar a esperança de vida da população e erradicar centenas de doenças.
A má notícia é que a riqueza instantânea conseguida pelos impérios tecnológicos é pessimamente distribuída, assim também no que tange aos avanços na medicina, na agricultura, na produção dos bens de consumo, etc. enquanto a poluição e o esgotamento dos recursos naturais ameaçam a tudo e todos.
Capitalizam-se os lucros — socializam-se os prejuízos. Isso tem sido feito há milênios.
Conseguimos erradicar a peste negra, mas fomos incapazes de erradicar o orgulho ou a inveja ou a hipocrisia ou ao egoísmo..
Criamos máquinas inteligentes que fazem cálculos rapidíssimos, porém nos tornamos a cada dia, coletivamente mais imbecis e idiotas; seja no trânsito, no trabalho, no trato conjugal ou com a família; seja nos cuidados essenciais para preservar os ambientes social e natural. Produzimos redes de comunicação em massa e ninguém se comunica de verdade e nem com a verdade. Que comunicação é essa?
Somos os mesmos bárbaros de sempre. Com sangue nos olhos.
– Apenas evoluímos em nosso jeito de matar. E como mudar isso?
É preciso, então, enfatizar que o sonho alquímico teria que ser realizado por inteiro.
Um sonho que está apoiado na primeira das grandes transmutações. A mais importante e primordial de todas.
Aquela que acontece dentro do próprio alquimista — nesse pequeno espaço de seu coração.
 
Mustafá Ali Kanso

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas