Decorando Sonetos
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxai ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos.
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E pois, já me não vedes como vistes.
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vem.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
Camões
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxai ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos.
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E pois, já me não vedes como vistes.
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vem.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
Camões
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