População brasileira tem rejeição à velhice
É preciso ver todas as fases da vida e não só quando a pessoa chega aos 60 anos
“A nossa sociedade tem rejeição à velhice. Vivemos em uma sociedade que rejeita envelhecer e isso deixa o idoso à margem”. A declaração é do presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, João Bastos Freire Neto. Segundo ele, determinantes culturais, sociais, comportamentais e de acesso à saúde, por exemplo, não permitem um envelhecimento participativo no Brasil e isso faz com que as pessoas não queiram chegar à velhice.
No Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, lembrado no dia 15 de junho, o geriatra explicou que é preciso ver a velhice em todas as fases da vida e não só quando a pessoa chega aos 60 anos. “Hoje, a grande violência contra o idoso é ter uma criança fora da escola. Essa criança que não tem acesso à educação tem toda a condição de chegar a ser um idoso vulnerável”, disse.
Bastos disse que com menos acesso à educação maior o risco de se ter uma dependência na velhice. Ele explica que a população idosa que sofre violência é aquela que tem alguma limitação na funcionalidade e que tem uma família despreparada e sem um suporte formal de cuidados. “Quando falamos sobre o que aparece, estamos falando das consequências. Precisamos falar das causas e de uma estrutura melhor para esses cuidadores”, disse.
O Disque 100, serviço de denúncias de violência do governo federal, recebeu 12.454 denúncias de violência contra a pessoa idosa de janeiro a abril de 2016. Os dados da Secretaria de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça e Cidadania apontam que entre os denunciados, 54,48% são filhos das vítimas. Entre as violações mais recorrentes aos idosos estão a negligência, a violência psicológica, o abuso financeiro e a violência física.
Para Bastos, a atuação dos conselhos municipais e estaduais criaram um sistema de vigilância maior em relação à pessoa idosa, com o aumento da possibilidade de denúncias. Junto a isso, segundo ele, há o aumento da população idosa e a diminuição do tamanho das famílias, deixando mais pessoas vulneráveis à violência.
“Nos últimos 50 anos, o Brasil saiu de uma expectativa de vida de 48 anos para 78 anos. A questão é que ganhamos esses 30 anos de vida, porém em uma condição de dependência. Precisamos aumentar a expectativa de vida saudável que depende dos cuidados à saúde e outros fatores. Para aumentar a expectativa de vida saudável, precisamos discutir como crianças, adolescentes e adultos estão vivendo para ter uma velhice que seja com funcionalidade”, completou o geriatra. O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa foi instituído pela Organização das Nações Unidas e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa em 2006 e tem como objetivo criar uma mobilização mundial.
Fonte: Jornal da Comunidade/Brasília
Colaboração: Eunice Costa
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