A semana santa inicia-se no
Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa. O Domingo de Ramos é assim
chamado porque o povo da época cortou folhas de palmeiras e colocou-as no
caminho por onde Jesus iria entrar em Jerusalém. O Domingo de Páscoa não há um
consenso quanto ao nome, algumas correntes do cristianismo preferem chamá-lo de
Domingo da Ressurreição. A Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão é uma
comemoração Cristã para lembrar a crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus
Cristo.
A semana santa era de um respeito
total. As emissoras de rádio a partir de quinta-feira só tocavam músicas sacras;
os pais não batiam nos filhos, (porque naquela época a educação era com
castigos como: ficar ajoelhado de frente para a parede, não brincar, não
merendar e reprimendas mais fortes como: bolo com palmatórias, surra com
cinturão, cascudos etc.); não podíamos jogar cartas; cinema só passava filmes
religiosos; as prostitutas fechavam suas casas nesta quinta e sexta-feira;
evitavam fazer festas; esta obediência religiosa se estendia até o sábado de
aleluia, às 10h(1), quando se ouvia o repique nas igrejas, as
sirenes das fábricas, fogos e os mais diversos alaridos. Outro fato
interessante do Sábado de Aleluia era a “queima de Judas.” Um boneco feito de
trapos e cheio de bombas, estrategicamente colocadas no mesmo, para ser explodidas
aos poucos e a cada explosão um membro do Judas ia sendo dilacerado, ficando a
cabeça, que continha a bomba mais forte, por último. Quando se quer referir a
um lugar muito distante e até desconhecido, diz-se: “onde Judas perdeu as
botas.” Ignora-se a origem desta expressão, pois naquele tempo não existiam
botas.
Outra coisa marcante da semana
santa de antigamente era a procissão do "Senhor Morto", na qual todos
a acompanhavam no mais profundo silêncio. A indumentária dos homens era paletó
e gravata e a das senhoras era vestido preto, sapatos altos (naquele tempo usava-se
meia de náilon (2)) e xale cobrindo a cabeça; no entanto, os mais
jovens iam mais à vontade.
Quanto à alimentação, não houve
muita mudança, apenas o respeito à restrição de carne vermelha nas quartas e
sextas-feiras era mais rigoroso. Durante
a Quaresma havia família que não comia carne vermelha nas quartas e
sextas-feiras. Na Sexta-Feira Santa fazíamos jejum até ao meio-dia quando era
servido o almoço, geralmente caruru, vatapá, peixe, camarão e outras iguarias
que variavam de casa em casa; não faltava um bom vinho para os adultos e suco
de uva para a criançada. Não deixava de
ser uma farra!
Era um tempo bom de viver: sem
carros e motos para nos atropelar e ladrão só de galinha.
(1) Em tempos
mais antigos não havia hora certa da aleluia, ao rezar a missa do sábado, após
a Sexta-Feira Santa, quando o padre dizia: - "aleluia”, aí se iniciava as
comemorações.
(2) Forma aportuguesada de nylon.
Dázio Brasileiro Filho
1º Vice-Presidente do Instituto
Histórico e Geográfico de Feira de Santana
AINDA NÃO TINHA VISTO VC NESTE BLOG
ResponderExcluirAJUDE MUITO POIS AS PESSOAS DISPONIVEIS SÃO POUCAS