TODO CAIS É FEITO DE SAUDADE
SOZINHA... no absoluto e negro e estranho vazio de minha alma, agora silente, imóvel.
Olhando o barco de ilusões partindo do porto afastando-se lentamente,
Abrindo atrás de si o desesperador espaço entre ele e o cais.
TODO CAIS É FEITO DE SAUDADE.
E, dentro de mim, começam a se formar com dolorosa doçura,
Imagens estonteantes entre sonho e realidade.
Dentro de mim começam a girar lembranças de outros tempos.
Sentimentos de tristeza que me envolvem nas lembranças de alguém, que um dia fora meu.
Nossos momentos... tão nossos... tão fugazes e intensos,
Feitos de silêncio plenificado pelos sentimentos e seus significados...
TODA SAUDADE É FEITA DE RECORDAÇÕES.
Ver a barca dos sonhos partindo...
O misterioso receio da solidão.
As entranhas estremecem, a pele encrespa-se,
A tristeza invade e o corpo enclausura-se na dor.
Lenta agonia... morte lenta...
A inexplicável e sádica vontade de voltar a sentir tudo outra vez...
TODA SAUDADE É FEITA TAMBÉM DE DORES.
Ah ! já se fazem estanques meus cantos de amor...
Minhas sensações esgarçam-se como névoas em noites frias...
Resta-me apenas a confiança inabalável
De que tudo tenha um sentido bem maior,
Que apenas ter partido o barco do meu amor.
...
Apenas olho... sem ver.
As imagens constroem-se na imaginação submersa,
No vazio de minha alma, imóvel, silente.
Olho do cais, pela janela fria da madrugada,
O barco de meu sonho partindo...
TODO CAIS É FEITO DE SAUDADES
Luiza Drubi
Educadora e Poetisa
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