Os péssimos resultados fiscais dos últimos quatro anos levaram a presidente Dilma Rousseff a dar o braço a torcer. Depois de muito relutar em admitir a piora das contas públicas, ela deu sinais de que finalmente caiu em si. Sob a ameaça de o país de ser rebaixado pelas agências de classificação de risco em 2015, a chefe do Executivo indicou que os próximos anos serão marcados pelo rigor no controle dos gastos públicos e por medidas que ajudem a recompor o caixa federal.
Os resultados alarmantes das contas públicas dão dimensão da urgência das medidas. Sob o comando de Dilma, o país registrou em 2014 o primeiro deficit primário desde 1997. Significa dizer que, em vez de guardar recursos para saldar parte dos custos financeiros da dívida pública, o governo aumentou a fatura a pagar com juros. Em média, a capacidade do estado de acumular recursos para realizar o superavit primário encolheu de 2,8% do PIB, durante o segundo mandado presidencial de Lula, para 1,7%, na primeira gestão de Dilma. Do compromisso assumido em 2010 de equilibrar o Orçamento ao mesmo patamar das receitas acumuladas, ficou apenas a promessa.
O deficit nominal do setor público quase triplicou sob a gestão de Dilma, passando de 2,6% do PIB para 6,1%, ao fim de 2014, segundo projeções do mercado financeiro. A situação é tão alarmante que, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil é o segundo emergente com maior rombo nas contas públicas. Fica atrás apenas da Índia, cujo deficit nominal alcança 7,2% do PIB.
Teoria e prática
Os analistas são unânimes: para conseguir convencer que o rigor fiscal será um pilar do novo governo, a presidente precisará unir o discurso de austeridade à prática. “O mercado não dará um cheque em branco a ela”, diz uma fonte governista, sob condição de anonimato. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, vai além e diz que o caminho para o país retomar os rumos do crescimento econômico e do controle da inflação passa, “necessariamente”, por um crível e profundo ajuste nas contas públicas”. Mais do que isso, emenda a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara: “Será preciso que o governo dê transparência às contas públicas, algo que foi relegado durante o primeiro mandato da presidente Dilma”, frisou.
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Fonte: internet
Colaboração: Eunice Costa
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