O novo chip é o resultado de anos de cooperação entre cientistas, coordenados pela empresa IBM, e foi apresentado na revista científica Science.
"O trabalho cumulativo é de mais de 200 anos-pessoa", afirmou à BBC Dharmendra Modha, que liderou o grupo.
Ele classificou o chip TrueNorth como uma "máquina para uma nova era".
Década de 40
A forma convencional de programação, binária, usada desde a década de 40, utiliza zeros e uns, e é a base de todos os atuais processadores.
Nesta arquitetura, o processamento de dados e a memória funcionam em unidades separadas.
No TrueNorth, no entanto, as operações matemáticas são interconectadas, o que lhe permite trabalhar muito mais dados ao mesmo tempo.
"Nosso chip integra computação, comunicação e memória", disse Modha.
A computação "neuromórfica" do TrueNorth acontece através de redes formadas por unidades chamadas "spikes" ou impulsos.
Por isso, a programação para este tipo de arquitetura precisará ser desenvolvida do zero
Aplicações possíveis
Analisando em tempo real um vídeo filmado de uma torre na universidade americana de Stanford, um único chip identificou quais pixels representavam pedestres, ciclistas, carros, ônibus e caminhões.
Este tipo de tarefa é um dos pontos fortes do cérebro e é um dos pontos em que computadores tradicionais encontram grandes dificuldades.
Por isso, entre as muitas aplicações que o novo chip permite estão óculos que podem ajudar deficientes visuais nas ruas ou robôs na cena de um desastre a se locomoverem.
Mas há quem acredite que as vantagens do novo chip talvez estejam sendo um pouco exageradas.
Para Steve Furber, um engenheiro de computação da universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, disse à BBC que o tempo vai dizer se a nova arquitetura terá a flexibilidade para ser usada para aplicações diferentes.
Furber, que atualmente trabalha em outro ambicioso projeto de simulação do cérebro chamado SpiNNaker.
No projeto, as conexões entre os "neurônios" são flexíveis, não fixas como no modelo da IBM.
Mas ele diz que a inovação da equipe de Modha é importante por sua capacidade de ampliação.
"É mais um passo em um programa de pesquisa que, suspeito, nem eles sabem onde vai chegar."
Fonte: ig.com.br
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