sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SAÚDE NA ECONOMIA



Queda de braço fiscal

Há uma gritaria generalizada de organismos multilaterais contra o que consideram um "descontrole fiscal" brasileiro. A raiz das reclamações está na flexibilidade adotada pelo governo, de uns tempos para cá, nas suas metas de superávit. Para acomodar investimentos públicos e rever o que entendem como conservadorismo extremo nas contas, autoridades monetárias vem praticando certas concessões dentro "de uma margem segura". Essa diferença de entendimento ou de interpretação no campo orçamentário, está provocando ruídos.
A OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, foi a primeira a se manifestar. Propôs que o Brasil adote a partir de agora, já para o próximo exercício, um regime de teto de despesas, em substituição ao de metas de superávit primário. Para a OCDE a dívida bruta cresce em volumes preocupantes. Na mesma toada, o Fundo Monetário Internacional(FMI) - que não se cansa de expressar seu mau humor e descrença quanto à saúde dos países latinos - classificou de "microgerenciamento"  a condução da política fiscal interna. Ele alerta para a perda gradativa de credibilidade e consequente aumento da incerteza geral que essa prática tem trazido. O que o Fundo questiona especialmente são os chamados empréstimos concedidos por bancos públicos como o BNDES.
Para além dos exageros da análise, é recomendável que o Brasil pratique o tal "pacto pela responsabilidade fiscal", enaltecido por Dilma Rousseff como "a mãe dos outros pactos". Em resposta aos dois organismos multilaterais, a Receita Federal divulgou um novo recorde de arrecadação em setembro, com mais de R$ 82,2 bilhões, 1% maior que o do mês anterior.
Embora tanto o OCDE como o FMI sejam entidades influentes no mercado financeiro global, o Brasil não mantém nenhuma dependência com qualquer uma delas. Não participa da OCDE e, literalmente, não deve mais nada ao FMI. Pode ouvir conselhos e sugetões delas. Mas deve seguir o caminho que mais lhe convier, dentro das prioridades que ajudem no crescimento econômico.
A Grécia, para ficar no exemplo mais recente, decidiu ouvir a orientação do Fundo por maior arrocho fiscal e tenta se recuperar do debacle até hoje.
 
Carlos José Marques - Revista Isto é Dinheiro 

Um comentário:

  1. Que o Brasil vai de mal a pior, isso não é segredo para ninguém. O mundo todo sabe, só o brasileiro é que nem sequer desconfia. COITADO!!!!
    É o mesmo que marido traído. Será o último a saber... hihihi

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas