sábado, 16 de novembro de 2013

SABEDORIA




Do trigo a cerejeira... uma reflexão

Tenho defendido a importância da educação científica no Brasil, principalmente no que tange a busca por soluções determinantes, tais como a erradicação da miséria, das doenças endêmicas, bem como a defesa e conservação do ambiente natural, só para citar aqui alguns poucos exemplos. Esse processo passa pela famosa educação de base: uma educação que contemple todos os aspectos do indivíduo, incluindo aí a concepção de uma conduta ética voltada ao bem comum. É terrível admitir essa dura realidade, mas cerca de quarenta milhões de brasileiros não conseguem ter sequer três refeições por dia. E se falarmos então sobre o acesso à água tratada, ao saneamento básico, à energia elétrica ou à saúde — ou a já citada educação de base — o quadro é simplesmente desesperador. Isso em pleno século XXI.
Percebo a indiferença de alguns, que até se justificam, pois tem a clara convicção de que os mais pobres estão nessa situação por que simplesmente não querem trabalhar. Será?
Tenho viajado muito por esse Brasil — e o que mais tenho visto, desde as primeiras horas da manhã, são terminais de trens, metrôs, ônibus, etc. lotados. Apinhados. Um mar de pessoas embarcando nessas conduções.
Cada vez que falo em educação científica me recordo que a miséria é ainda a principal causa mortis das crianças do meu país.
Então como prodigalizar às nossas crianças o pão do espírito — que é a educação — se o pão do corpo lhe é ainda negado?
— Lembrando sempre que o trigo antes de virar pão precisa ser cultivado.
Entra governo, sai governo e o quadro desesperador persiste. Então, qual é a solução?
Um dos caminhos que eu encontrei é o de unir minha força de trabalho ao de outras pessoas que, assim como eu, resolveram fazer alguma coisa e não apenas reclamar. São voluntários que doam algumas horas de seu mês para trabalhar pelos mais necessitados. Temos médicos, dentistas, professores, engenheiros, operários, e tantos outros cidadãos, todos unidos em torno desse ideal.
Mas entendo que posso fazer mais um pouco, enquanto estiver por aqui. Algo que tenha transcendência.
Mas como diz um grande amigo que atua no voluntariado há mais de vinte anos.
É como plantar uma cerejeira.
É bem provável que você nunca se sentará à sua sombra ou colherá de seus frutos.
É um simples gesto de generosidade às gerações futuras.
 
Mustafá Ali Kanso

Colaboração: Luiza Drubi

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas