quinta-feira, 24 de outubro de 2013

FIQUE INFORMADO


A nova ameaça do tio Sam.


O mundo, que já olhava com desconfiança para os EUA desde os episódios recentes de espionagem contra nações aliadas, passou a ter verdadeiro temor diante da possibilidade real de calote da dívida americana em escala global. Foi somente no último minuto, por um triz mesmo, que republicanos e democratas chegaram a um acordo para pôr fim ao impasse. Ainda assim, temporariamente. A perplexidade internacional com o embate político que ameaça a insipiente retomada da economia dos EUA - e, por tabela, do restante dos mercados - cresce à medida que aumenta o poder da influência da ala conservadora e radical dos republicanos, o "Tea Party". Esses pregam o colapso da administração pública federal enquanto suas reivindicações não forem atendidas. Na mesa de discussões, a maior bandeira social (e de dividendos políticos) de Obama: seu generoso plano de assistência à saúde. O presidente americano não vai recuar nesse sentido, sob pena de afundar todo seu capital eleitoral. O "Tea Party", de seu lado, não vai amargar a derrota indefinidamente. Agências de rating já ameaçam rebaixar nota da dívida americana. Potências como a China pedem a "desamericanização do mundo". Em outras palavras, ganha força a campanha para retirar do dólar o papel de moeda de referência das finanças internacionais. Há outras implicações no contexto dessa briga. E algumas delas afetam diretamente o Brasil. Depois da própria China e do Japão, cada um com mais de US$ 1 trilhão ancorado em títulos dos EUA, o Brasil é, por assim dizer, o terceiro maior país credor dos americanos, com mais de US$ 250 bilhões em créditos investidos ali. Na prática, quase toda reserva nacional está depositada naquele pote e imaginar qualquer calote nessa área será demasiadamente catastrófico. A eventual irresponsabilidade parlamentar no Capitólio, pode se prever, travaria a liquidez global de maneira insuportável. Eis o que está em jogo: um planeta refém economicamente diante da potência cuja liderança foi posta contra a parede. Talvez nem nos tempos da Guerra Fria ou da crise dos mísseis de Cuba se imaginou cenário tão tenebroso como esse. E o pesadelo ainda não acabou.

Carlos José Marques - diretor editorial da revista IstoÉ Dinheiro   

Um comentário:

  1. Obama agora está diante de um "tacho de problemas" para resolver, dentro e fora do país.
    Minha tendência é sempre de não crer nos "salvadores da pátria", que surgem como grandes heróis e solução para todos os males. Tanto aqui como lá, eles se transformam, na maioria das vezes, em sofrida decepção.

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- Kant "Quem não sabe o que busca,  não identifica o que acha." Colaboração: Itazir  de  Freitas